sábado, 12 de setembro de 2015

Vende se um passo de dança

Vende se um passo de dança.

Estava pronto o anúncio.

Ela estava decidida. Iria vender.

É um passo de dança à dois.

Não faz sentido guardar algo que não se usa.

Era o dia do desapego,

Muitas caixas arrumadas para serem levadas. 

Coisas que não cabiam mais na nova caminhada.

Os chapéus, as camisas de botão, os sapatos de verniz, as estátuas de gesso e um 

quadro de meretriz.

Tudo muito bem organizado, com carinho separados, lavados, passados... Prontos para 

se levar.

As lembranças colocadas em saquinhos.

Umas continham fagulhas de dores e outras, de carinhos.

Tudo pronto! É só deixar na calçada e esperar alguém pegar.

Mas e aquele passo de dança?

Calma, disse à ela mesma. 

Preciso pensar!

Com o portão já trancado e o coração acelerado, um semblante preocupado começou 

transparecer.

Passo de dança é diferente, não agrada toda gente, o que é que eu vou fazer?

De repente, uma ideia!

Toda dança tem sua platéia,

É para eles que eu vou vender.

Mas como? Onde? Como?

Num estalo de rebento uma ideia na mente daquele ser.

Vou entrar num site de relacionamentos,

Escolher entre os artistas e tocadores de instrumentos.

Talvez lá eu consiga vender.

Entrou com um anúncio decidido:

Vendo um passo de dança estendido, que perdura a noite toda, até o amanhecer.

O tiro foi certeiro.

Tinha vários interessados. 

Argentinos, holandeses e até um brasileiro.

E agora, quanto irei cobrar?

Bom, o primeiro passo já foi dado.

No mais, só me resta negociar.

O brasileiro foi o mais interessado.

Passo de dança é anúncio diferente,

E que bom ter escolhido o grupo da gente.

Estou disposto a levar!

A moça, surpresa de imediato ficou.

O moço era mais doido do que ela, 

Ofereceu uma fortuna pelo passo, enquanto os outros, uma bagatela.

A conversa ficou interessante.

Um encontro resolveram marcar.

Afinal, mercadoria vendida, é preciso entregar.

Me passa seu nome e contato, moça,

Precisamos conversar.

E assim se fez.

O encontro foi marcado, 

Na casa do comprador brasileiro arretado que de tão ansioso, mal podia se conter.

Na noite da entrega, uma surpresa!

O apartamento a luz de velas, uma música gostosa tocando e um vinho sob a mesa.

O passo de dança foi entregue de imediato.

Aquilo era um negócio, não se podia negar o fato.

A vendedora logo se arrependeu.

Impossível disfarçar.

Na energia que àquela dança gerou,

Percebeu que daquele passo iria precisar.

Mas negócio é negócio.

Não há como desfazer, disse o moço todo polido.

Mas vou fazer te uma proposta:

Dança comigo todas as noites, até o dia amanhecer?

Por: Aline Patricia

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