segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Comida de vó

Casa nova, vida nova, emprego novo,
Tudo está diferente.
O lugar é tranquilo, poucos vizinhos,
Quase não se ouvem barulho de gente.

Pela manhã o sol aquece minha cama,
Clareia o quarto, a alma...
Inflama!
Inflama a vontade de começar bem mais um dia.

Abro os olhos e os ouvidos,
Ouço pássaros a cantar.
O canto dos pássaros para mim é uma prece,
Me ponho junto a orar.

Trinta dias se passaram.
Muitas coisas pude ver.
Mas novos vizinhos se mudaram,
Coisas estranhas começaram a acontecer.

Penso ser uma senhora.
Na voz cansada pude notar.
Com os velhos hábitos de uma vó,
De mil coisas me fez recordar.

Toda vovó tem seus costumes,
Coisas que a idade vem nos trazer.
Essa vózinha não é diferente,
Começa preparar o almoço logo ao amanhecer.

Tem aguçado minha fome,
Mal posso me conter.
Comida de vó tem cheiro diferente,
A saudade invadiu meu ser.

Minha vózinha tem noventa anos,
Dedicou cinco deles para me cuidar.
Quantas lembranças me vieram...
Estou eu a chorar.

O meu peito quase explode de alegria,
É difícil descrever.
Com paciência, os meus gostos ela fazia,
Só preparava o que eu gostava de comer.

Sempre diz que fui criança boazinha.
Não há quem ouse discordar.
A vó Lilí é uma linda, bem baixinha,
Mas não é bom contrariar.

Hoje me bateu uma saudade,
Daquelas que apertam o peito e faz chorar.
Vi quão grande a minha irresponsabilidade,
Deveria eu agora para ela cozinhar.

Mas o meu dom é poesia, vó.
Fiz essa para te presentear.
Tempero de vó é diferente,
Não tem como comparar.

Mesmo estando um pouco ausente, vovó,
Para sempre irei te amar!
 















Por: Aline Patricia

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