segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Ela me faz dançar na sala com o violão

Ela me faz dançar na sala com o violão.
De dia me provoca poesia,
De noite, canção!
Ela sorri e meu mundo paralisa.
Ela silencia e me hipnotiza.
Inspiração!
Se some, me dedico a procurar.
Quanto aparece, especializo-me em observar.
Nostalgia!
Ela é pura poesia.
Daquelas que aquecem madrugadas de inverno,
Feito chocolate quente, coberta macia.
Ela é vento fresco em noites de verão.
É pausa e ritmo certeiro,
A doce melodia de uma nova canção.
Acelera-me e me para,
É do tipo: fada com varinha de condão.
Penso nela e o coração dispara...

E: mais uma dança na sala com meu violão!















Por: Aline Patricia

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Comida de vó

Casa nova, vida nova, emprego novo,
Tudo está diferente.
O lugar é tranquilo, poucos vizinhos,
Quase não se ouvem barulho de gente.

Pela manhã o sol aquece minha cama,
Clareia o quarto, a alma...
Inflama!
Inflama a vontade de começar bem mais um dia.

Abro os olhos e os ouvidos,
Ouço pássaros a cantar.
O canto dos pássaros para mim é uma prece,
Me ponho junto a orar.

Trinta dias se passaram.
Muitas coisas pude ver.
Mas novos vizinhos se mudaram,
Coisas estranhas começaram a acontecer.

Penso ser uma senhora.
Na voz cansada pude notar.
Com os velhos hábitos de uma vó,
De mil coisas me fez recordar.

Toda vovó tem seus costumes,
Coisas que a idade vem nos trazer.
Essa vózinha não é diferente,
Começa preparar o almoço logo ao amanhecer.

Tem aguçado minha fome,
Mal posso me conter.
Comida de vó tem cheiro diferente,
A saudade invadiu meu ser.

Minha vózinha tem noventa anos,
Dedicou cinco deles para me cuidar.
Quantas lembranças me vieram...
Estou eu a chorar.

O meu peito quase explode de alegria,
É difícil descrever.
Com paciência, os meus gostos ela fazia,
Só preparava o que eu gostava de comer.

Sempre diz que fui criança boazinha.
Não há quem ouse discordar.
A vó Lilí é uma linda, bem baixinha,
Mas não é bom contrariar.

Hoje me bateu uma saudade,
Daquelas que apertam o peito e faz chorar.
Vi quão grande a minha irresponsabilidade,
Deveria eu agora para ela cozinhar.

Mas o meu dom é poesia, vó.
Fiz essa para te presentear.
Tempero de vó é diferente,
Não tem como comparar.

Mesmo estando um pouco ausente, vovó,
Para sempre irei te amar!
 















Por: Aline Patricia

sábado, 12 de setembro de 2015

Vende se um passo de dança

Vende se um passo de dança.

Estava pronto o anúncio.

Ela estava decidida. Iria vender.

É um passo de dança à dois.

Não faz sentido guardar algo que não se usa.

Era o dia do desapego,

Muitas caixas arrumadas para serem levadas. 

Coisas que não cabiam mais na nova caminhada.

Os chapéus, as camisas de botão, os sapatos de verniz, as estátuas de gesso e um 

quadro de meretriz.

Tudo muito bem organizado, com carinho separados, lavados, passados... Prontos para 

se levar.

As lembranças colocadas em saquinhos.

Umas continham fagulhas de dores e outras, de carinhos.

Tudo pronto! É só deixar na calçada e esperar alguém pegar.

Mas e aquele passo de dança?

Calma, disse à ela mesma. 

Preciso pensar!

Com o portão já trancado e o coração acelerado, um semblante preocupado começou 

transparecer.

Passo de dança é diferente, não agrada toda gente, o que é que eu vou fazer?

De repente, uma ideia!

Toda dança tem sua platéia,

É para eles que eu vou vender.

Mas como? Onde? Como?

Num estalo de rebento uma ideia na mente daquele ser.

Vou entrar num site de relacionamentos,

Escolher entre os artistas e tocadores de instrumentos.

Talvez lá eu consiga vender.

Entrou com um anúncio decidido:

Vendo um passo de dança estendido, que perdura a noite toda, até o amanhecer.

O tiro foi certeiro.

Tinha vários interessados. 

Argentinos, holandeses e até um brasileiro.

E agora, quanto irei cobrar?

Bom, o primeiro passo já foi dado.

No mais, só me resta negociar.

O brasileiro foi o mais interessado.

Passo de dança é anúncio diferente,

E que bom ter escolhido o grupo da gente.

Estou disposto a levar!

A moça, surpresa de imediato ficou.

O moço era mais doido do que ela, 

Ofereceu uma fortuna pelo passo, enquanto os outros, uma bagatela.

A conversa ficou interessante.

Um encontro resolveram marcar.

Afinal, mercadoria vendida, é preciso entregar.

Me passa seu nome e contato, moça,

Precisamos conversar.

E assim se fez.

O encontro foi marcado, 

Na casa do comprador brasileiro arretado que de tão ansioso, mal podia se conter.

Na noite da entrega, uma surpresa!

O apartamento a luz de velas, uma música gostosa tocando e um vinho sob a mesa.

O passo de dança foi entregue de imediato.

Aquilo era um negócio, não se podia negar o fato.

A vendedora logo se arrependeu.

Impossível disfarçar.

Na energia que àquela dança gerou,

Percebeu que daquele passo iria precisar.

Mas negócio é negócio.

Não há como desfazer, disse o moço todo polido.

Mas vou fazer te uma proposta:

Dança comigo todas as noites, até o dia amanhecer?

Por: Aline Patricia

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Sorriso...

Acordei com os pensamentos a mil.
O som da chuva na janela anunciava um dia cinza.
Fazia frio!

Os pensamentos acelerados tomaram seu lugar de costume.
Tantas idéias na cabeça...
E a lembrança daquele perfume!

Mas a palavra chave era: sorriso. 
Uma mensagem subliminar?
Tudo que hoje eu não preciso!

E então ouço pássaros a cantar.
Sento, me concentro.
Olho meu celular.

Uma mensagem, uma espécie de confirmação.
Vi ali um sorriso.
Acelerou o coração!

Tantas coisas pra dizer,eu tentando me calar.
Mas não pude me conter.
Estou eu, a poetizar!

Cada qual tem suas virtudes, é preciso ressaltar.
E a daquela moça é o sorriso.
Vejo ao longe brilhar.

E como num rompante, me veio a poesia irreverente:
_Cola no céu cinza esse sorriso bonito, moça,
E faz um arco íris pra gente!




Por: Aline Patricia