sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Tem gente



Tem gente que tem sabor de fruta colhida no pé, sabe?

É como andar com os pés descalços  no gramado do pomar.
Cada sorriso é uma fruta fresca colhida e degustada alí mesmo.
Tem gente que é sombra fresca no balançar da rede, 

na varanda da casa na árvore.

É passarinho cantando forte, afinado, entoado, tipo: canto-oração.
Tem gente que faz carinho no coração da gente, 
feito vento na estrada, num passeio de motocicleta. 

Feito aperto de mão.

Tem gente que desperta sonhos na gente. 

Que vira poesia, vira canção.

Tem encontros que a vida não explica, 

mas o peito suplica quando reconhece um irmão.

Tem gente que com um sorriso-abraço-mensagem  levanta a gente, 

sem ao menos disso ter noção.

Tem gente que é gente na vida da gente,
ôh meu Pai... Gratidão!

Por: Aline Patricia



Passarinho


Moça, meu coração é ninho.
Você passarinho, pode pousar.
Meu corpo, árvore em campo aberto;
não te obriga, nem te amarra.
Não tenhas medo de olhar mais de perto.
Se olhar mais a fundo, vai entender.
O que vês por fora é pura ilusão.
Se chegar um pouco mais perto poderás ver.
Se somos todos "um todo",
Você é pedacinho de mim.
Eu... pedacinho de você!
Somos todos partes inteiras um do outro.
Que tal pagar para ver?
Voa um pouco mais alto, passarinho. Você vai me entender!
Posso ser a poesia que te completa
E você... A inspiração para o meu escrever.
Só lembrando, passarinho:
Que meu peito é ninho, eu não vou te prender.
Se meu corpo é árvore em campo aberto, pode voar quando quiser.
Mas se sentir vontade de voltar, será sempre um prazer te receber!
Voa pássaro, voa... Atrás de um novo canto.
Leva e trás o seu encanto a onde não posso voar.
Voa pássaro, voa... Vá conhecer o horizonte de outros campos,
Mas volte à este peito-ninho, sempre pronto, a te esperar!




Por: Aline Patricia

Cada dia, uma de mim.

Eu nunca fiz amor do mesmo jeito. Nunca amei do mesmo jeito também.

Em cada ato de um novo dia era uma eu, uma de mim que amava.

Eu nunca fui a mesma todos os dias; cada dia comigo um comigo de mim.

A prece de ontem não será a prece de hoje. Pois ontem antes da prece era um eu e 

depois... Um outro comigo melhor, um pouco comigo tão lindo de mim.

Ontem eu cantei Caetano: Sozinho. Foi bom.

Hoje acordei me perguntando: Quem de nós dois? É Ana!

Ontem eu li um verso pequeno que fiz; hoje acordei Pessoa, Caio F Abreu, Leminski... 

Comigo e os comigos de mim.

Minhas preces parecem descrever meus momentos.

Sou energia... E em movimento!

Por isso me permito ser esse pouco diferente à cada dia. Sinto assim na vida uma 

magia, de me redescobrir dia após dia. Do instante em que acordo até o anoitecer.

Já tentei ser uma mesma num conjunto de regras. 

Mas acredite, vi pouco a pouco o meu coração entristecer.

Sempre foi assim... Não consigo fazer diferente.

Ser igual pode até ser bacana para algumas pessoas, mas não para toda gente.

Não falo de bipolaridade. Isso é transtorno e é preciso tratar.

Estou falando de energia em movimento. Se te soltares feito pássaro ao vento, ela irá 

te transformar.

Eu sou assim. E precisei de muito para entender. 

Até mesmo a brisa que o entorpe causava, se apresentava diferente em cada 

anoitecer.

Tem dias que eu quero ver o sol se pôr. É lindo!

Noutros... Quero ver ele nascer.

Nunca fiz amor da mesma maneira. Acho isso pura preguiça de o outro corpo 

conhecer.

E como um prêmio pelo bom desempenho, descobri mais de mil formas em que se 

apresenta o prazer.

Ontem fiz preces com meu violão. Em cada acorde que vibrava, um carinho em mim, 

no outro, no todo.

Hoje acordei mais quietinha, precisando compreender alguns sentimentos. Minha 

prece? Meditação!

E para cada dia uma energia diferente, somos força em movimento. Por favor... Não 

estagna não!






Por: Aline Patricia

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Terra e fogo - Poesia

Se a poesia não existisse, certamente eu a inventaria.

Não saberia descrever meus sonhos em notas rápidas e vagas,

Porque meu peito é tempestade e calmaria.
E por falar em sonhos...
Ah, o sonho!
Uma visita inesperada,
Com cenas doces e apimentadas,
Me tirou da cama cedo e cravou em minha face um semblante risonho.
O peito amanheceu estufado,
Implorando explodir poesia,
Enquanto a alma aguarda o momento da tua chegada,
Meu avesso, vento forte, teu sorriso,  calmaria.
Tu és terra, eu sou fogo...
Estou tentando entender.
Tu te encontras fácil, fácil...
E eu vivo a me perder.
Tu me aterras e eu te aqueço,
Temos muito a aprender.
Na poesia é assim,
Fica fácil explicar.
Cria dúvidas nos leitores,
E o peito poético a desabafar.
Vou contando as horas do meu dia,
Esperando à noite, em outro sonho te encontrar!

por: Aline Patricia








quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Borboleta eu quis ser

Andava distraída pelas ruas da cidade.

Curiosa, observava os hábitos daquele bairro que pouco conheço,

Novidades!

O vento tocava forte meu rosto.

Em minha motocicleta eu quase flutuava.

Hora alongando os braços, hora o pescoço.

O ar ali me pareceu diferente.

O bairro é dos mais antigos,

Muitas árvores nas calçadas e também, muita gente.

O semáforo fechou, tive mais tempo para observar,

E olha que surpresa:

Do meu lado direito uma borboleta amarela a dançar!

E dançando atravessou a rua,

Foi à praça passear.

Encontrou outra borboleta, e juntas se puseram a brincar.

O sinal abriu, fechou... E eu parada no mesmo lugar.

Na alegria daquela dança, esqueci o meu caminho.

Desejei ser um pouco borboleta,

Que dança alegre quando em grupo, tal qual dança sozinho.

O semáforo abriu novamente,

O tempo passou sem que eu pudesse perceber.

Fui embora sorrindo, toda contente,

Borboletas mexem com as emoções da gente,


Borboleta eu quis ser!


















Por: Aline Patricia

Deixe esfriar

Deixe a paixão esfriar para ver se é amor.

Deixe o fogo abrasar para ver se permanece o calor.

A paixão é traiçoeira, encantadora, trapaceira...

Cria castelo de areia à beira mar .

É um perigo!

Falo das ondas fortes,

Castelos vulneráveis ficam fáceis se desmantelar.

Deixe aceso,

Espere mais um pouco,

Não custa nada tentar.

Com um pouco de paciência, fica mais fácil constatar.

Fogo alto, brasa forte,

Vira a noite e invade o dia.

E se acaso permanecer acesa, pode ir firme,


É amor e não fantasia!




















Por: Aline Patricia

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Conversando com um beija flor

Beija flor

Beija a flor,

Vai saindo...

Indo embora.


Beija flor,

Com sua cor,

Meu olhar revigora.


Beija flor,

Meu amor

Me ignora.


Beija a flor nela,

Invada sua casa

Pela janela.

Beija ela por mim.


Beija a flor de luz incandescente,

Diga que sou carente

E que é só dizer que sim.


Beija-flor

Traga dela uma semente

Que aqui tem solo fértil,

Vou plantar no meu jardim.


Beija a flor e entregue meu poema,

E se acaso ela sorrir,

Traga-a logo para mim.

Beija-flor!


















Por: Aline Patricia

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Ela me faz dançar na sala com o violão

Ela me faz dançar na sala com o violão.
De dia me provoca poesia,
De noite, canção!
Ela sorri e meu mundo paralisa.
Ela silencia e me hipnotiza.
Inspiração!
Se some, me dedico a procurar.
Quanto aparece, especializo-me em observar.
Nostalgia!
Ela é pura poesia.
Daquelas que aquecem madrugadas de inverno,
Feito chocolate quente, coberta macia.
Ela é vento fresco em noites de verão.
É pausa e ritmo certeiro,
A doce melodia de uma nova canção.
Acelera-me e me para,
É do tipo: fada com varinha de condão.
Penso nela e o coração dispara...

E: mais uma dança na sala com meu violão!















Por: Aline Patricia

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Comida de vó

Casa nova, vida nova, emprego novo,
Tudo está diferente.
O lugar é tranquilo, poucos vizinhos,
Quase não se ouvem barulho de gente.

Pela manhã o sol aquece minha cama,
Clareia o quarto, a alma...
Inflama!
Inflama a vontade de começar bem mais um dia.

Abro os olhos e os ouvidos,
Ouço pássaros a cantar.
O canto dos pássaros para mim é uma prece,
Me ponho junto a orar.

Trinta dias se passaram.
Muitas coisas pude ver.
Mas novos vizinhos se mudaram,
Coisas estranhas começaram a acontecer.

Penso ser uma senhora.
Na voz cansada pude notar.
Com os velhos hábitos de uma vó,
De mil coisas me fez recordar.

Toda vovó tem seus costumes,
Coisas que a idade vem nos trazer.
Essa vózinha não é diferente,
Começa preparar o almoço logo ao amanhecer.

Tem aguçado minha fome,
Mal posso me conter.
Comida de vó tem cheiro diferente,
A saudade invadiu meu ser.

Minha vózinha tem noventa anos,
Dedicou cinco deles para me cuidar.
Quantas lembranças me vieram...
Estou eu a chorar.

O meu peito quase explode de alegria,
É difícil descrever.
Com paciência, os meus gostos ela fazia,
Só preparava o que eu gostava de comer.

Sempre diz que fui criança boazinha.
Não há quem ouse discordar.
A vó Lilí é uma linda, bem baixinha,
Mas não é bom contrariar.

Hoje me bateu uma saudade,
Daquelas que apertam o peito e faz chorar.
Vi quão grande a minha irresponsabilidade,
Deveria eu agora para ela cozinhar.

Mas o meu dom é poesia, vó.
Fiz essa para te presentear.
Tempero de vó é diferente,
Não tem como comparar.

Mesmo estando um pouco ausente, vovó,
Para sempre irei te amar!
 















Por: Aline Patricia

sábado, 12 de setembro de 2015

Vende se um passo de dança

Vende se um passo de dança.

Estava pronto o anúncio.

Ela estava decidida. Iria vender.

É um passo de dança à dois.

Não faz sentido guardar algo que não se usa.

Era o dia do desapego,

Muitas caixas arrumadas para serem levadas. 

Coisas que não cabiam mais na nova caminhada.

Os chapéus, as camisas de botão, os sapatos de verniz, as estátuas de gesso e um 

quadro de meretriz.

Tudo muito bem organizado, com carinho separados, lavados, passados... Prontos para 

se levar.

As lembranças colocadas em saquinhos.

Umas continham fagulhas de dores e outras, de carinhos.

Tudo pronto! É só deixar na calçada e esperar alguém pegar.

Mas e aquele passo de dança?

Calma, disse à ela mesma. 

Preciso pensar!

Com o portão já trancado e o coração acelerado, um semblante preocupado começou 

transparecer.

Passo de dança é diferente, não agrada toda gente, o que é que eu vou fazer?

De repente, uma ideia!

Toda dança tem sua platéia,

É para eles que eu vou vender.

Mas como? Onde? Como?

Num estalo de rebento uma ideia na mente daquele ser.

Vou entrar num site de relacionamentos,

Escolher entre os artistas e tocadores de instrumentos.

Talvez lá eu consiga vender.

Entrou com um anúncio decidido:

Vendo um passo de dança estendido, que perdura a noite toda, até o amanhecer.

O tiro foi certeiro.

Tinha vários interessados. 

Argentinos, holandeses e até um brasileiro.

E agora, quanto irei cobrar?

Bom, o primeiro passo já foi dado.

No mais, só me resta negociar.

O brasileiro foi o mais interessado.

Passo de dança é anúncio diferente,

E que bom ter escolhido o grupo da gente.

Estou disposto a levar!

A moça, surpresa de imediato ficou.

O moço era mais doido do que ela, 

Ofereceu uma fortuna pelo passo, enquanto os outros, uma bagatela.

A conversa ficou interessante.

Um encontro resolveram marcar.

Afinal, mercadoria vendida, é preciso entregar.

Me passa seu nome e contato, moça,

Precisamos conversar.

E assim se fez.

O encontro foi marcado, 

Na casa do comprador brasileiro arretado que de tão ansioso, mal podia se conter.

Na noite da entrega, uma surpresa!

O apartamento a luz de velas, uma música gostosa tocando e um vinho sob a mesa.

O passo de dança foi entregue de imediato.

Aquilo era um negócio, não se podia negar o fato.

A vendedora logo se arrependeu.

Impossível disfarçar.

Na energia que àquela dança gerou,

Percebeu que daquele passo iria precisar.

Mas negócio é negócio.

Não há como desfazer, disse o moço todo polido.

Mas vou fazer te uma proposta:

Dança comigo todas as noites, até o dia amanhecer?

Por: Aline Patricia

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Sorriso...

Acordei com os pensamentos a mil.
O som da chuva na janela anunciava um dia cinza.
Fazia frio!

Os pensamentos acelerados tomaram seu lugar de costume.
Tantas idéias na cabeça...
E a lembrança daquele perfume!

Mas a palavra chave era: sorriso. 
Uma mensagem subliminar?
Tudo que hoje eu não preciso!

E então ouço pássaros a cantar.
Sento, me concentro.
Olho meu celular.

Uma mensagem, uma espécie de confirmação.
Vi ali um sorriso.
Acelerou o coração!

Tantas coisas pra dizer,eu tentando me calar.
Mas não pude me conter.
Estou eu, a poetizar!

Cada qual tem suas virtudes, é preciso ressaltar.
E a daquela moça é o sorriso.
Vejo ao longe brilhar.

E como num rompante, me veio a poesia irreverente:
_Cola no céu cinza esse sorriso bonito, moça,
E faz um arco íris pra gente!




Por: Aline Patricia





terça-feira, 24 de março de 2015

Em outra dimensão

Além de todo esse fogo que aflora à derme,
Existe uma ternura inquietante, um carinho inexplicável;
Que me trava a boca num riso estendido 
E cócegas no mais profundo íntimo do peito,
Como se fosse, ou talvez seja... Na alma.
Eu fico aqui a olhar-te...
E às vezes é só isso que eu quero.
Me perco no silêncio barulhento das faculdades do meu corpo,
Enquanto saboreio essa brisa entorpecente,
Que espontaneamente, toma conta do meu ser.
É por isso que me faço parecer distante.
Pois, na verdade, estou me encontrando e me perdendo
No êxtase deste passeio que,
Por instantes, parecem me levar para outra dimensão.
Mas eu estou aqui.
Bem aqui!
Em silêncio... Olhando pra você!




Por instantes, diga-se de passagem, longos instantes;
Observo tua imagem grafada na tela da tecnologia que carrego nas mãos.
E nos demais instantes,
Onde a realidade se faz notar nas responsabilidades do dia a dia,
Contemplo seu sorriso grafado em minha memória.
Imagens que passam incessantemente, como um slide em meus pensamentos.
E o meu sorriso?
Permanece cravado em minha face,
Como se já fizesse parte do lugar que se instalou! 


Por: Aline Patricia