sábado, 30 de novembro de 2013

Quando a dor se torna amor

Eu poderia agora estar chorando de dor. 
Este direito me foi concedido! 
Considerando que deitar e levantar da cama tem sido algo semelhante a um ensaio fotográfico. Uma maratona de pequenos movimentos nada sensuais, porém, minuciosamente variáveis. 
O passeio até a cozinha me permite contemplar cada detalhe da paisagem do percurso... 
Talvez, seja esta a necessidade da minha alma. Reconhecer os detalhes que a pressa escondeu por muito tempo. 
Confesso que a essa altura do campeonato, no meio do banho, ter que gritar: 
_Mãaaaae, pega o sabonete aqui para mim. Escorregou da minha mão... 
Porque não dei conta de abaixar para pega-lo, é um tanto quanto doloroso para meu orgulho de "gente grande" e independente. 
Mas ver aqueles olhinhos cheios de preocupação e amor vindo me socorrer, não tem preço! 
Há dores que revelam amores! 
Hoje chorei um choro novo. 
Um choro de gratidão! 
As pancadas da vida, muitas vezes, criam cascas de autodefesa em nós. 
Em mim! 
Ignorantemente, passamos a nos proteger de tudo e de todos. Inclusive das pequenas delicadezas que nos cercam. Fragmentos de amor. 
Às vezes necessitamos de uma pancada na carne para quebrar a casca que se formou. 
Necessitei! 
E chorei! 
Porque doeu! 
Doeu ver o quanto se perde em amor, dia a dia. 
A dor na carne ameniza quando a metade de mim, em doação de genes e literalmente, em massa corporal, se desdobra em força e amor para me ajudar a levantar, amenizando ainda mais a minha dor. 
Aquela figura irmã, que o Cosmos me deu, entrando pela porta do hospital após interpretar uma mensagem de texto escrita em um idioma ainda desconhecido, me fez olhar para dentro. 
Dentro de mim. Dentro do meu lar! 
E como descrever a sensação de ver os olhos ansiosos que esperavam no portão de casa o longo percurso do pequeno corredor, e vê-los brilharem por me verem inteira? 
Hoje eu chorei um choro novo. Choro de gratidão! 
Choro de reflexão... 
Choro de quem absorveu todo carinho e cuidados manifestados em diversas e admiráveis formas. 
Hoje eu chorei no espetáculo da dor, que abriu as cortinas para a apresentação da peça chamada: 
Amor!




por: Aline Patricia

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Choro-riso, paixão!

Eu penso e choro o tempo todo.
Não é um choro de tristeza.
É choro de alegria que não tem mais por onde sair e transborda pelos olhos.
É choro de quem chora sorrindo.
Choro de quem sonha acordado e ama dormindo.
É choro que traz para perto as fagulhas de saudade.
É choro-riso... Felicidade!                                               


É um choro bobo que custa ser compreendido.
É lágrima nos olhos e sorriso incontido.
É uma bagunça que não tem explicação.
Deixou no meu rosto um sorriso e levou contigo meu coração.
Tudo bem! O seu cheiro esta em nosso travesseiro.
Acomodo-me nas lembranças do teu olhar faceiro.
E mais uma vez... Choro sorrindo!

Choro sorrindo, sorrio chorando...
Contando os dias no calendário, estou te esperando.
Cada lágrima-riso que cai, irriga a lacuna no meu coração.
Para que a semente do amor fecunde em solo fértil,
E meu choro vire canção.
Adormeço com os olhos molhados e com uma peça de roupa sua nas mãos.

E mais uma vez: Choro e riso... Paixão!

por: Aline Patricia

domingo, 26 de maio de 2013

Eu quero!




Eu quero a alegria de um riso incontido,
Desmedido e sem razão.
Eu quero a alegria de estar com meus amigos,
Falar de coisas tolas,  
Fazer melodias, extrapolar energias,
Tocar violão.
Eu quero a alegria da poesia que surge plena luz da lua
E despretensiosamente vira canção!
Eu quero a alegria de um beijo roubado,  
Em segundos, concedido e compartilhado,
Assentido num aperto de mãos.
Eu quero a alegria do inesperado que se espera, 

Da troca de olhares, da paquera.
Dos bons motivos para poetizar.
Eu quero a alegria do abraço sincero,
Dos olhares de ternura, dos cenários eternos.
E de tudo que faz o meu peito vibrar!
Eu quero a alegria que não se explica,
Que corre nas veias,  
Pulsa no peito e faz os olhos brilharem.
Eu quero a alegria que a alma suplica,  
Que a vida improvisa;
E que chega sem avisar.
Eu quero a alegria do lado,
Em cima, embaixo,  
De um modo que não dê pra eu escapar!

Por: Aline Patricia

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Amor.



Que minha loucura seja sana,
E que minha sanidade seja louca.
Que sejam em doses.
Às vezes cavalares...
Às vezes, homeopáticas.
Mas que sejam... Sempre!
Seja um pouco a cada dia.
Que seja pouco...
E às vezes: Um pouco além da conta.
Que dê tempero às experiências a serem vividas.
E que me tragam sensações, emoções, reações...
Vívidas!
Que seja:                                                              
-Louco,
-Pouco,
-Excedente,
-Sano...
Maliciosamente puro.
Puramente malicioso...
Mas que seja um pouco de cada vez.
Ou tudo de uma só vez!
Mas que seja dia a dia... Todo dia!
Ou trinta dias num mês.
Que seja lúcido e inconsciente,
Responsável e inconseqüente.
E que se repita instintivamente...
Uma... Duas ou três!
Ontem... Hoje...
Amanhã,
Talvez!
Na carne: Quentura.
Na mente: loucura.
No peito: Ternura.
Na alma: Nudez!
No texto: contexto... Pretexto... Perplexo.
AMOR...
Lucidez!

                                                                                                                                             Por: Aline Patricia

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Antes de ser anel



Antes de ser anel, eu fui pedra bruta,
Fui minério disforme, opaco...
De pouco brilho.
De pouco encanto...
Acalanto!

Antes de ser anel, eu já existia.
Em meio as pedras e água, me escondia...
Esperava...
Ansiava...
Calmaria!

Antes de ser anel, pelo fogo eu passei.
Acreditando nos resultados,
O calor eu suportei.
Eu chorei...
Transpirei...
Persisti!

Antes de ser anel, uma forma tive que encarar,
As marretadas do ourives tive que suportar.
Eu gritei.
Eu rangi...
Ecoei!

Antes de ser anel, eu passei pelas politrizes,
Pelos sonhos exagerados,
Do artista...
Dos doutores...
Cicatrizes!

Antes de ser anel, eu já tinha meu valor.
Nos processos que passei,
Confesso: _Muitas vezes fraquejei.
Murmurei...
Dor!

Hoje sou anel,
E todos vêem minha beleza.
Passeio em dedos nobres...
Pobres...
Sutileza!

Hoje sou anel,
Tenho brilho, formato e cor.
Mas todo sonho que se sonha,
Carrega um pouco de dor.
Histórias!

Hoje sou anel,
Um pouco de cada história que vivi.
Mas meu valor é o sorriso estampado no rosto.
Companheiro... Esteve comigo até aqui.
Memórias!

Hoje sou anel...
Fui fiel,
Persisti...
Vitórias!

Por: Aline Patricia

domingo, 24 de março de 2013

Hoje e sempre, minha mais doce casualidade!



Quando o tudo ainda parecia nada,
Quando as noites se estendiam em eternas madrugadas,
Meus olhos se perdiam em coisas sem sentido.
Em tom suave, murmurastes em meu ouvido.

Casualidade em noite quente,                                          
Bebida gelada mexe com a emoção da gente.
Olho no olho em momento certeiro,
Entendi o seu recado, entreguei-me por inteiro.

Bendita casualidade que me levou àquele lugar,
O coração bate novamente, volto a respirar.
O corpo todo se aquece, aguçando a imaginação,
Quando de “vida” me chamastes, fui pra outra dimensão.

Teus beijos, teu jeito, tua boca... Tudo enfim,
Em meu peito tatuei a sua imagem, teu cheiro ainda esta em mim.
Dos sabores que provei, o teu é raridade,
Para sempre lembrarei; minha mais doce casualidade!

Por: Aline Patricia

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Despeito

Despeito poderia ser escrito assim: 
DIZ-PEITO.

Diz o peito desaforado,
Coisas que o mantém engasgado.
Chora dores de outros amores,
Fingindo dissimuladamente ter a felicidade ao lado.
Desfere palavras duras e abusadas,
Ergue o corpo esguio,
Disfarçando a alma pesada!
Estampa no rosto um sorriso,
E o mantém com profunda devoção,
Mas os olhos opacos se escondem,
Lentes escuras, sua salvação!

Diz o peito apertado,
Coisas que deveria deixar de lado.
Mas a dor que não permite esquecer,
Empenha-se,
Procurando o melhor meio para ofender.
Então o outro sorri,
É aí que a coisa piora.
As flechas atingem o alvo errado,
O alvo desejado não vê, ignora!
Diz o peito sem respeito: _Maldito poeta!
Sempre sorri depois que chora.


Por: Aline Patricia

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Tempo.


Todo papel é a arte que nele se insere.
Toda caneta tem a inspiração que traz o pulso.
Todo pulso tem o peso da história que carrega.
Toda história carrega um pouco de agonia.
Toda agonia tem o peso que lhe cabe.
Todo peso que lhe cabe, tem o poder de condicionar.
Todo condicionamento depende da dedicação que se aplica.
Toda aplicação terá seu reconhecimento.
Todo reconhecimento chegará no tempo derradeiro.
Tempo derradeiro é questão de entendimento.
Entendimento amadurece com o tempo.
O tempo tem suas promessas.
O vento se encarrega de transportá-las.
Em formato de sementes, buscam solo fértil,
E chuva para irrigá-las.



















Por: Aline Patricia

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Por alguns instantes...


E por alguns instantes, eu quase acreditei!
Divagando entre sonhos, fui ao topo da alma.
Observei generosamente cada detalhe,
Detalhei minuciosamente cada possibilidade em meus pensamentos.
Olhava de perto o longe, e de longe, o perto.
Tudo parecia tão exato e ao mesmo tempo, tão incerto.
Tão provável quanto improvável...
Talvez!
Tal veja...
Tal sinta...
Uma lágrima rolou ao rosto da lua.
Molhando meu cabelo, dei o nome de: Orvalho!
Ao som dos insetos campestres, dei o nome de orquestra.
Meus cúmplices, testemunhas; reflexos.
E por alguns instantes eu cheguei acreditar...
Em minhas mãos, um brinquedo da velha infância.
Eu usava para aproximar as coisas que a mim pareciam belas,
Às que mereciam ser observada mais de perto.
Inclusive a lua!
Eu usei para observar aquele instante.
Eu sorri...
Sonhei...
Cantei...
Dancei ao som da minha orquestra!
Eu fechei os olhos na intensidade do que sentia e por alguns segundos...
Eu quase acreditei!
Perdi o chão.
Lá no topo da alma, desequilibrei.
Fui deslizando entre os fatos, lembranças, retratos...
Relatos!
Outra lágrima rolou.
Dessa vez sob meu rosto.
Deslizou até sumir em meu peito, enquanto eu deslizava do topo.
A orquestra ainda tocava.
E a lua, pouco a pouco me abandonava.
Lembrei-me das vezes em que invertia meu brinquedo de posição.
O mesmo brinquedo que me aproximava do que era belo,
Afastava-me daquilo que me machucava.
E naquele instante... Eu desacreditei!
Outra lágrima rolou.
E essa eu não sei de onde veio.
Só sei que fortemente me tocou,
E por alguns instantes, eu voltei a acreditar!


                                                              Por: Aline Patricia