quarta-feira, 7 de março de 2012

Às vezes, é preciso calar...

Às vezes é preciso calar.
Calar não somente a voz que se expande,
Mas também aquela que ecoa... A que ecoa no mais íntimo de cada ser.
Nada de pensamentos,
Nada de pronuncias,
Apenas o silêncio, a quietação...
O ar que entra pelas narinas invade o corpo com tal profundidade, a ponto de se fazer notado. Talvez de forma nunca antes observado.                        
E isso por si só é o bastante.
É um tempo de esperas!                                      
Tempo de esperar o tempo...
Nem dores, nem ânsias, nem angustias ou temores.
É tempo de observar...
Observar cada detalhe e movimento a sua volta.
Ver que tudo pode ter valido a pena. 

Mesmo aquelas coisas que de fato não valeram.
É hora de se preparar para ver os resultados.
É quase o tempo da colheita... É preciso estar preparado para receber os frutos.
E o silencio nestes momentos, é tão doce quanto o fruto colhido no tempo derradeiro.
A boca guarda a sensação tal qual quando irrigada pela água da nascente.
Nada perturba a alma!
O silêncio que muito das vezes sugere vazio, dessa vez se faz sentir na amplitude da razão,
A mais intensa sensação de sacies.
Não é um silêncio ruim!
É o momento em que os olhos observam de cima do monte, a qualidade de tudo aquilo que se semeou.
É um tempo de entendimento, onde as emoções parecem estar desligadas temporariamente.
Um desligamento necessário!
Nem razão, nem emoção...
Apenas silêncio e observação.
E logo chegarão os novos motivos para escrever, compor e decompor as novas canções. Os novos capítulos, episódios... O tracejar de um novo tempo, onde novamente o silencio se fará necessário.

Às vezes é preciso calar!



Por: Aline Patricia