segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Nas rochas os sonhos se edificam




A onda forte desmanchou meu castelo de areia.
Levou meu castelo e junto dele, meus sonhos.
O olhar perdido na linha do horizonte buscava respostas.
Nem o sol, nem a lua. Tudo que se via era escuro demais para se ver.
Só o vento se fazia notar.
Impetuoso e imponente, acreditei termos alguma diferença pessoal.
_Foi ele quem empurrou a onda!
Levou meu castelo e sonhos, toda fé depositada em cada grão de areia em segundos se desfez.
Os pés molhados pela água fria e salgada, mal podiam dar sustento ao corpo. Tão pouco ousava trilhar algum norte.
O corpo desfalece sobre as pernas na areia molhada, como que implorando algo que não se sabe ao certo o que poderia ser, já que os sonhos se desmantelaram na fragilidade de onde foram erguidos.
Mas nas rochas vi uma luz.
Em tímidos passos, a esperança em descompasso me ajudou a caminhar.
No topo das rochas o sol nascia e da pedra onde eu estava, vi o dia clarear.
E os ventos sopraram novamente...
Nossa relação nem de longe poderia parecer amigável.
Tocou suavemente meu rosto, minha pele, meus cabelos...
Mas meu corpo enrijeceu, tomado pela desconfiança daquele que soprou para longe os meus sonhos.
Soprastes forte a água, desprendido de qualquer zelo destruiu meu castelo e meus sonhos.
Em segundos desfez o que há tempos vinha construindo. E agora me tocas suavemente?
E tocou! Por insistentes e longos minutos.
O que queres de mim?
O sol, radiante e imponente trouxe luz aos meus olhos.
Estava lindo, como há muito não conseguia notar.
Admirando a beleza do dia que nascia, num minuto de distração fui traída.
Os ventos que me acariciaram, sorrateiramente invadem meus olhos com areia; e o que parecia se tornar mais claro, como um pesadelo tornou turva minha visão.
Sentei-me naquela rocha, e no desespero de quem mais nada podia esperar, pus-me a chorar.
De onde vinham tantas tormentas?
Lamentando os sonhos que se foram, outro sonho me tocou.
 Senti um leve toque em minhas costas, mas o medo do que poderia estar ali me tomou profundamente.
O que mais poderia acontecer?
Lentamente fui virando para trás, como quem realmente estava com medo do que poderia ver.
E como ver, com tanta areia nos olhos?
Mas eu vi!
Nem toda a areia que tornara turva minha visão, foi capaz de esconder aquele sorriso.
Na firmeza daquela rocha, o mesmo vento que levou meus sonhos, me presenteou com novos sonhos.
Não... Ele não roubou meus sonhos!
Só me deu a chance de alicerçá-los em algo realmente sólido. Em lugar onde nem as águas, nem o tempo, nem ele mesmo poderá derrubar.
Ainda há resíduos de areia nos meus olhos, mas meus sonhos... Ah, meus sonhos!
Tem uma nova casa para habitar.
A areia o vento leva, a água desfaz, o tempo modifica...
Mas a rocha sempre permanecerá firme, assim como nossos sonhos em um bom lugar pra se sonhar!




Por: Aline Patricia