segunda-feira, 22 de agosto de 2011

TRANCADOS


Éh... Eu tranquei minha alma para não me entregar.
Eu tranquei o coração pra você não entrar.
Mas você roubou a chave.
Impetuosamente invadiu todo espaço.                                                      
Dissimuladamente me tirou de mim.
Tomou conta da respiração; apossou-se dos meus sonhos.
 Bebeste dos meus beijos...
Alimentou-se de todos os desejos que estavam armazenados em mim.
Era meu sustento para os dias ruins; e agora são seus.
Todos seus!
Abre e fecha a porta quando queres.
Entra e sai, quando bem entendes.
Tranca tudo quando não estas por perto.
Fecha-me para as verdades que não conheço.
Tranca para fora as mentiras que ao longe reconheço.
Como um fantasma sorrateiro entra... Sai... Faz e desfaz, abusando do poder de estar com a chave.
Quando esta por perto me transborda de carinho e aconchego.  
Abre portas e janelas...
E nesses instantes é que me sinto realmente livre.
Mas quando vai embora; usa da minha própria “ex-chave”; e me vejo mais uma vez assim... Trancada!
Já não mais por minha própria vontade. Mas sim, por vontade de quem a possui.
Faz o que quer de mim. Pois a mim não mais pertenço.
Sou de outro dono!
Controlas até meu sono. Que por sinal, se foi sem ao menos se despedir.
Têm a chave e meus anseios.
Mentiras e verdades, sonhos, coragem e medo.
Já me dei conta da situação.
Sei bem onde estou.
Indiscutivelmente... Em suas mãos!
O uso da chave é inquestionavelmente dispensável.
O espaço é grande o suficiente para acolher as partes.
Tudo aquilo que é livre, se torna refém por sua própria vontade.
E os sonhos divididos em duas partes tornam-se mais sonhos. 
Assim como os anseios e desejos.
A porta trancada não é empecilho para um ladrão oportuno.
Não temer o que carregas consigo, é permitir-se experimentar.
Pra que tanto medo de perder?
Só perdemos aquilo que de fato não possuímos.
Deixe a porta aberta. Coloque a chave em cima da mesa.
Que ela não pertença mais nem a mim, nem a você.
E que o que é vivo, permaneça livre.
E estando livres enfim, estejamos TRANCADOS.
Eu em você. E você em mim.

                         

                  por:    Aline Patricia

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Sensações


Tenho estado por aqui,
 mergulhada no silêncio de minh'alma,
 que clama e anseia por calma,
 calma essa que o mundo não tem para oferecer...
No silêncio, tua ausência me perturba,                                        
faz barulho onde só deveria existir o "nada”
É como se a TV estivesse ligada,
em uma programação que não quero ver...
Toma-me os pensamentos nossas velhas canções...
Desligo o som já desligado,
mas as músicas surgem de lados, que eu não consigo entender...
Onde estas, minha amada calma?
Sossega e aquieta minh’alma...
estou a ponto de enlouquecer.

por: Aline Patricia

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Foram tantas as tentativas por: Mariana Bentes

Foram tantas as tentativas;
E maiores foram os esforços que fiz.
Posso dizer sem medo: EU TENTEI!

Busquei ajuda;
Gritei por socorro,
Eu tentei, dei tudo de mim, mas,
Pode- se dizer que falhei.
Falhei por não perceber que eu sou eu;
Tenho meus valores, princípios,
Tenho sonhos, vontades,
Tenho liberdade de me reinventar e ser como quiser;
SER O QUE QUIZER!

Eu falhei,
Quando me enganei e pensei que minha felicidade era fazer a felicidade dos que me amam;
Porém, tão boa,
Imaginei que para isso, precisaria omitir o meu “eu”,
Pensei ter que ser o que eles queriam que eu fosse;
Mas ...
Não é bem assim!

Cada um deve ser o que é, e as pessoas devem valorizar a verdade do outro;
É preciso aceitar cada um do seu jeito,
É necessário amar o outro; com suas virtudes e defeitos,
Sem tentar alterar detalhes,
Sem querer moldar da nossa forma!

                                               por:        Mariana Bentes 




Tomei a liberdade de adicionar o vídeo da música : Verdade oculta ( Jorge Vercillo ) cd : DNA.
Salve o respeito à identidade de cada um! Cada qual tem seus valores, seus princípios, desejos e anseios. 
Que cada ser seja respeitado por sua individualidade, por tudo aquilo que carrega na alma, e não por conceitos pré-estabelecidos por uma sociedade de pensamentos egoístas, restritos  e medíocres.
( A.P. )

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

SÓ NO ESCURO! por: Liah

Prazer é pouco!  Que honra poder partilhar do talento desta amável "criatura", com quem tenho o prazer de dividir "LICENÇAS POETICAS" , idéias e coisas da vida. Seja bem vinda, amada amiga. Este espaço é todo nosso. 
Para meus amigos e leitores, apresento: Liah.
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- "... 3.200, 3.201, 3.202, 3.203!" - E foi aí que eu parei de contar.
- Quem roubou meu sono? Ainda bem que não roubaram os sonhos... Sonhar é possível mesmo acordada... Pelo menos isso! - pensei em voz alta - De repente foram meus fantasmas que sumiram com o meu sono...
- Não roubamos nada! - escutei - Pegamos emprestado...
Olhando para a penumbra do quarto, respondi:
- Então devolve, pô! De que te servem minhas horas de sono? Já não te bastam as horas do dia?
Ao que me responderam:
- São poucos os momentos do dia em que te vemos assim, completamente despida.
- Despida??
- Despida.

Mais reveladora que a nudez do corpo, é a nudez da alma. E não há momento do dia mais revelador do que aquele em que nos encontramos com nossas cabeças em nossos travesseiros, perdidos em nossos pensamentos, sejam eles quais forem, no escuro, longe dos olhos alheios, em nossos quartos.
Momento de repouso para alguns, de reflexão para outros... E há quem diga que reflexão é forma de repouso. Há quem pense no dia que teve, há quem pense no dia que virá, há quem pense nos compromissos a cumprir ou nos que deixou para trás... Há quem simplesmente não pensa. Apenas deita e dorme. Profundamente.
O fato é que, em dado momento, os pensamentos conscientes cessam. E sem que percebamos, nossas mentes são invadidas por pensamentos não necessariamente voluntários. Devaneios, divagações... pura imaginação! Ou não. E podemos passar horas perdidos ali, sem notarmos a ausência que tomamos de nós mesmos, daqueles que devemos ser, para acordarmos cedo no outro dia e desempenharmos nossas devidas funções, ou devidos papéis, personagens no palco da vida, com nossas máscaras e uniformes.
Bendita é a escuridão da noite, pois sem ela a claridade do dia não teria sentido algum. É no escuro que se é possível enxergar realmente. Sem termos onde fixarmos os olhos, somos obrigados a olhar para dentro de nós mesmos. Se isso assusta? É claro que assusta! Nos deparamos com aquilo que durante um dia todo de claridade não enxergamos, e para dizer bem a verdade, evitamos enxergar. Mas não há escapatória: cedo ou tarde, os fantasmas aparecem, e se impõem.

- Mas eu preciso acordar cedo amanhã. Tenho compromissos, trabalho a fazer... Por favor, deixem-me dormir!

- Mas você tem certeza de que prefere dormir?
"À noite todos os gatos são pardos" - sempre disse meu pai. Talvez depois de tanto tempo sem conseguir dormir na hora determinada (não sei por quem), eu tenha me acostumado com a noite, com a realidade que ela me traz, com a liberdade que ela me traz. Na escuridão eu me misturo com aqueles todos que de dia são uns, mas que com certeza à noite tem lá seus fantasmas também. À noite eu posso ser como sou, agir como quero e como devo, de acordo com o que tenho dentro de mim.
Conviver com os fantasmas me fez aprender a deixar de temê-los e a simplesmente conviver com eles, e não tentar resolvê-los. A noite pode ser considerada a melhor amiga de uma pessoa, porque ela faz enxergar o real. O dia faz enxergar as aparências, as funções e os pré-conceitos do mundo. O grande desafio está em trazer a claridade das nossas noites para os olhos dos nossos dias.
- É... Vocês tem razão. Prefiro a noite ao dia. Mas perdoem-me se tenho que dar-lhes atenção à meia luz. 

Por Liah.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O perfume da flor

É com enorme prazer que posto o primeiro "duo" com uma pessoa que para mim, é mais que especial. Esta aí nossa primeira obra, Daisy. Uma brincadeira de gente grande, dividida em dois personagens. Bem vinda ao nosso espaço!
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1)Por mais bonita e resistente que seja uma flor, se rodeada e tomada por arbustos de espinhos; por mais que lute... Acabará de fato sufocada.
Sua beleza e perfume se eternizam, mas ela de fato se vai.
A flor bonita cultivada no jardim da casa, é perda para o dono quando se vai por falta de irrigação.
A flor que toma vida em campo aberto e sem dono, se por falta de água abandona o velho habito de desferir seu perfume, também é perda.
Porém, não é um prejuízo pessoal, ou particular.
Simplesmente deixa de ostentar os olhos daqueles que de fora a observavam.

2)Tento tirar os entulhos que eu mesma joguei nesse jardim.
Sinto-me impotente...
Com medo...
Perdida...
Sem esperança...
Covardemente lancei-me num buraco que parece não ter fim.
Tentando agarrar-me em arbustos sem raízes... Continuo caindo e vendo se distanciarem as pessoas que amo.

1)Tantos passam uma vida toda tentando sentir o perfume da flor... E nada!
Outros são sufocados pelo excesso de perfume, e não se dão conta da dádiva que experimentam.
Mas só o poeta sabe a dor de ver a flor pouco a pouco ser sufocada, até que se perca toda vida que nela incide.

2)A última coisa que quero, é deixar de sentir o perfume da flor.        
_Culpa minha!
_Idiotice...
_Covardia!
Perder a flor significará ver por terra minha última esperança.

1)O poeta perde o fôlego e as rimas.
Passa a odiar a covardia, como quem odeia seu arque-inimigo.
As lágrimas tomam involuntariamente seu próprio rumo...
Irrigando a ferida que se abre.

2)Mais uma vez...
Só tenho uma saída...
Lançarei mão, e então, espero que tudo fique no esquecimento.
Pelo menos descobri que amar é mais que qualquer entendimento ou razão.
E que nada fora disso tem sentido.

1)Mas o nobre poeta é como um nobre cavaleiro que toma de sua armadura, empunha espada e escudo e vai ao encontro da flor para ver se ainda há perfume, pelo menos quando o astro rei aquecer o orvalho que a dama noite desfere.
Mesmo que não haja mais sinal daquela flor... Outras hão de florescer.
Caso não; o poeta perde toda inspiração.
Caneta e tinteiro serão guardados, escondidos ao fundo do armário; e assim viverá uma vida superficial.
Indo de acordo aos ventos...
Poetizando “solamente”; apenas em sua mente.
Sem a pretensão de novamente partilhar do perfume da flor, findam-se todas as esperanças.

2) _Não posso perder o perfume da flor!

1)_Não quero deixar de viver-te, perfume da flor!


by: Aline Patricia & Daisy Gomes