domingo, 23 de outubro de 2011

É melhor que seja assim ( Quase um documentário )

Por que será que a gente treme sempre, quando descobre uma coisa que a primeira vista parece ser ruim?

O estômago embrulha, o peito aperta, a sensação de dormência toma conta da cabeça, a visão se torna turva, o coração acelera e as lembranças começam a passar pelos pensamentos como se fosse um filme desordenado. (sem edição).

Partindo para a primeira pessoa do singular (em tempo real):

Então olho para a xícara de café e a vejo vazia...

Providencio mais uma dose do líquido escuro, quente e amargo; que se assemelha a tudo o que estou sentindo neste exato instante.

Ascendo um cigarro...

E outro...

E outro...

E logo me vejo ascendendo um com a "bituca" do outro.

Em meio a tanta fumaça, respiro...

Inspiro...

Torno a respirar e em questão de minutos, noto que já não há mais espaço no cinzeiro.

E as descobertas continuam causando sensações inquietantes na carne.

Pausa para mais uma xícara de café...

...

...

Demorei mais do que o previsto. A garrafa estava vazia!

Mas enquanto a água fervia (junto com meus pensamentos), pude analisar alguns fatos.

Voltando ao tempo real:

Quem se atreve a arriscar suas economias no resultado de um campeonato de futebol, hoje em dia?

Ha menos que eu conhecesse alguém da cúpula organizadora (o que não é o caso), jamais apostaria minhas fichas em algo manipulado (desprovido de verdades), com resultados pré-estabelecidos.

Mas eu não estou falando de jogos, nem de economias.

O fator prevalecente neste momento refere-se a: vidas!

E eu não apostaria minha própria vida, felicidade, futuro e zelo pela verdade, em algo que se alicerça em mentiras.

Então... Vejo que todas essas sensações que meu corpo manifestou, é por conta da reorganização dos caminhos.

Que bom!

Posso sentir o peso esvaziando pela dorsal. Tomando rumo desconhecido.

E espero que desconhecido permaneça!

Enganam-se quem pensa ser prática a forma como estou analisando os fatos.

Pelo contrário!

Não é nada prático e é um tanto quanto doloroso. Pois a sensação de imbecilidade ainda ronda este recinto.

Mas, observando pelo lado de fora da situação, me ocorre uma máxima citada pelos sábios anônimos que encontramos nas estradas desta vida:

O que a mim não soma, falta não me fará!

A alma do poeta não implora a misericórdia dos leitores. Tão pouco defere despeito com as ciladas da vida.

Apenas faz disso, mais um bom motivo para escrever, e transcrever acontecimentos que o torna mais forte e sábio. Aprendendo a ver lucros, onde normalmente enxergaria em destaque os prejuízos.

O que é melhor; a verdade que dói ou a mentira que agrada?

Pensando em longo prazo, concluo que ambas causarão dor.

Uma vez que enxergo a mentira como uma bexiga cheia, submersa a água (podendo permanecer submersa por algum tempo, mas não para todo um sempre); eu fico com a verdade que dói.

E que doa o quanto antes. Para que não se perca tempo em redirecionar o foco.

Na lucidez que me toma,

Focando o que é melhor pra mim,

Pós um litro de café e uma carteira de cigarros, concluo que:

É melhor que seja assim.               









Por: Aline Patricia.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A vida é assim

É com grande prazer que recebo aqui, e agora digo que também é p'arte minha ( um pedacinho de mim), meu amado amigo : Jeferson Tronfino. Depois de brincar-mos com caneta e papel nos bares da vida, crumpre-se a promessa!
Obrigada pelo carinho e amizade de sempre, meu lindo. Amei o texto!
Seja bem vindo. Porque a partir de agora, você também é P'arte minha! Bjo grande!

A Vida é assim!
As vezes choramos e as vezes sorrimos, amamos e nos decepcionamos, caímos e levantamos (ou somos levantados). A vida nem sempre é fácil, mas quem disse que ela tem que ser? Às vezes ela exige de nós, coisas que momentaneamente não conseguimos entender.
A Vida às vezes nos tira coisas importantes, nos confronta com situações difíceis e nos provoca, talvez para reagirmos.
Mas e ai? A vida é assim, ok! E nós como somos? Ou melhor, e você como é?
Eu decidi tomar uma postura de domínio sobre a vida, sou dono das minhas decisões, sou responsável pelas minhas atitudes.
A Vida não é fácil, mas eu a enfrento. Chorando ou sorrindo, amando ou me decepcionando, caindo e levantando (ou não), sou eu que levo a minha vida e não deixo que ela me leve (nada contra o Zeca Pagodinho).
Encaro esse dom de Deus, a VIDA, como um cristal precioso; frágil demais para ser manuseada de qualquer forma, mas também, lindo demais para ficar guardada e escondida.
A vida é para ser vivida, as experiências estão ai para serem experimentadas e cabe a nós mesmos a atitude de tomar a direção e o rumo de nossas vidas.
Choro, sofro, dou risada, canto danço, me divirto e fico triste, amo incondicionalmente mas também me desapego fácil. Mas acima de tudo eu VIVO e você também deveria viver!

                                                     
por: Jeferson Tronfino

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Dando Passos!

Dando passos...

“Dar passos” pode parecer uma citação comum.

Idiota, talvez...

Principalmente se parte de alguém que não é portador de nenhuma deficiência física.

Mas eu vou além das evidências.  

Quando se passa certo tempo olhando a vida por de traz de lentes escuras,

Quando é lançado ao vento, a escolha dos caminhos,

Quando simplesmente se vive, e nada, além disso, se faz,

Dar passos significa muitas coisas.

É a retomada do leme,

A redescoberta do “querer”,

O reencontro com o “sentir”,

É ser...

Estar...

Saber...

Sonhar...

Ir e vir.

É o encontro consigo mesmo,

Com as próprias vontades,

Metas...

Mentiras e verdades,

Que cada “eu”, tem direito a escolher.

Dar passos significa dar rumo à própria vida,

Dando vida a tudo aquilo que se sonha,

Almeja...

Deseja...

Proponha!

“Dar passos” vai muito além de o simples movimentar de pernas.

Dar passos é o conjunto de movimentos do corpo,

Da alma,

Da mente,

Do intelecto,

Dos sonhos e das realidades.

Todos juntos, em uma mesma freqüência.

“Dar passos” é lançar-se!

Desatando os nós,

Estreitando os laços,                                      

Dando rumo novo à vida,

Hoje me vejo assim...

Dando passos!

Por: Aline Patricia

terça-feira, 20 de setembro de 2011

EU ESTAVA EM PAZ QUANDO VOCÊ CHEGOU!

E agora um conto!
Inspirado na música: Relicário - Nando Reis,uma das minha preferidas, em coisas da vida ( histórias que se partilham nas mesas dos bares ), na existência e na esféra poética.


Eu a vi. Ela estava linda.
Simplesmente linda!
Sorria como há muito não conseguia notar.
Falava... Falava... Falava...
E eu mal podia escutar.
Olhava para ela como quem bebia de suas palavras, mas o único som que eu ouvia,
Eram as pulsadas violentas do meu miocárdio.
Bobo, olhando fiquei... Evitando até mesmo piscar para não perder nenhum instante sequer daquela imagem.
Cada movimento, cada detalhe, cada bater de cílios, eram minuciosamente observados.
E eu queria mais...
E mais...
E mais...
Queria tudo muito mais!
Queria não precisar falar, só para não perder nenhum detalhe.
Minhas mãos formigavam desejando tocá-la;
Meus braços pulsavam na ânsia de abraçá-la.
Mas precisava conter-me e esperar...
Esperar... Até que surgisse algum sinal; que por sinal, parecia tardar a vir.
Poderia descrever cada detalhe daquela noite.
Porém...  Cada detalhe que estivesse no máximo 05 cm daquela que meus olhos não paravam de observar.
Mil pensamentos rodeavam minha mente naqueles instantes.
E ela?
Ela continuava a falar... Mexer... Remexer!
Misturando ainda mais tudo o que se passava dentro de mim.
Horas e horas se passaram sem que eu pudesse perceber.
Inevitavelmente teríamos que nos despedir. E assim se fez.
Fiquei ali olhando.  Vendo sua imagem se afastar pouco a pouco, até se tornar pequena demais para ser vista.
Ali, onde segundos se tornavam eternos, eu não sei bem ao certo o que aconteceu.
O que antes era placidez, observação e no máximo ansiedade, embaraça-se em um misto de sonho e realidade.
Entre contos e encontros, na ilusão que me tomou;
Só posso dizer uma coisa:
_EU ESTAVA EM PAZ QUANDO VOCÊ CHEGOU!

por: Aline Patricia. 

paticipação especial: Liana Capucho. Salve, salve!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Eu ainda não me acostumei a ter você. Por: Daisy Gomes

   Eu ainda não me acostumei a ter  você.
   Poderia dizer que fui acometida por sensações  e medos que me levam à abstinência  de tudo o que meu ser sempre desejou  sentir e expressar.
   Ocupei um espaço  na  tua vida  que  tirou o teu espaço de vida, onde  o meu conforto desaloja a tua  tranquilidade. Não porque não me queira, mas porque embora eu te querendo muito  não rompesse ainda os grilhões das  enormes  barras de ferro que foram chumbadas às paredes da minha  alma  onde me cobrem o corpo feridas em diferentes  fases de cicatrização .
   Sofro com teu sofrimento e então penso em despejar-me da tua existência dando espaço para  reaveres a tua vivaz tranquilidade, retomando tuas ações   indo ao encontro dos teus planos reprimidos de não mais  me deixares entrar...
                              Mas, eu não me acostumo a viver sem você.
    Por isso sempre volto, desobedecendo a teus inúmeros pedidos. 
    Quando no teu  ímpeto tens o tempo que denominei pensante, sei que sabes que eu presumo o que querias dizer. 
E quando me perguntas, me calo, porque sinto medo de que confirmes  a minha hipótese.
     Entristece-me duplamente a sua tristeza.
     Dói em mim a tua dor, angustia-me saber-te sozinha, me deprime a distância.
     Quisera  me permitir ... 
     Estar pronta.... 
Não temer  em me aplicar doses cavalares de você como poderoso antídoto contra  todos os meus medos e minhas covardias.
    Sei o quanto TE MAGOA  e o quanto perco por não ter me acostumado a ter você!
Por: Daisy Gomes
                      

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Aos poucos - Por: Mariana Bentes




Aos poucos tudo volta ao seu devido lugar.
A mágoa é passada,
O sorriso é retomado,
O ontem é deixando pra lá;
Juntamente com seus acontecimentos.

Aos poucos o efeito da anestesia vai passando;
Já posso sentir meu coração bater,
Meus pensamentos pensar;
Já posso ouvir os gritos silenciosos ecoando na minha alma.

Tão aos poucos tudo volta ao seu devido lugar;
Eu vejo uma lágrima no garoto da esquina,
Um sorriso bobo na garota de 15 anos,
Um desajeitado querer gritando na moça que está lá... Tão distante!

Aos poucos o pouco passa,
E de repente,
Tenho que recomeçar...
Retomando minhas queridas tentativas de TENTAR!

Quando percebo,
Personagens novos aparecem,
Histórias semelhantes acontecem...
A vida se repete em uma vida só!


Por: Mariana Bentes

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

To com saudade

To com saudade da saudade que eu sentia,
Quando eu sabia exatamente o dia que eu iria te ver.
To com saudade da saudade que eu sentia,
E de quando ela doía.
Eu sabia exatamente o que fazer.
To com saudade daquela saudade que eu matava buzinando em sua janela,
De ver você acenando na sacada,                                 
Miragem mais bela... Fazia-me arrepiar!
To com saudade do abraço que acolhia,
De quão forte me sentia,
Ouvindo o seu suspirar.
To com saudade do laço que se criou,
Da amizade que se eternizou,
E das tantas idéias para partilhar.
To com saudade da saudade que eu sentia;
Conto no calendário dia após dia,
Esperando você voltar.
To com saudade!



por: Aline Patricia

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Não caibo mais em mim


O problema é que não caibo mais em mim
Acostumei a me vestir de você...
A sonhar com você...
A viver por você...
E agora já não sei viver em mim.
Tudo o que eu pensava cabia perfeitamente em você.
Tudo o que eu sonhava, era com você.
Redimensionei minha vida para se encaixar na sua.
Mudei medidas...
Compactei o que era grande, ampliei o que era pequeno...
Troquei o perfume das rosas pelo teu cheiro.
E agora me sinto um forasteiro, tendo que voltar a viver em mim.
Desaprendi a te esquecer...
 Graduei-me em te lembrar...
Já não lembro onde foi que me perdi.
 Só sei que esta difícil me encontrar!
No peito vazio: ecoam os batimentos.
Na alma fria e solitária: só se encontra dores e lamentos,
Na ânsia de quem procura a si próprio e não consegue encontrar.
Deveria você ter guardado ao menos um pedacinho de mim. Para que quando o que nunca começou chegasse ao fim;  eu tivesse ao menos um impulso para me redimensionar.
Ouço poesias em verso e canção...
Logo me lembro das batidas do meu violão!
Na tentativa de te impressionar, penso em uma canção para “te tocar”.
Já que não estas aqui comigo...
Não vejo sentido em ver o encordoamento vibrar!
Nem lembro mais das músicas que eu gostava,
pois minhas cordas só vibravam em canções
para te agradar.
Das lembranças que trago hoje enfim...            
Só lamento uma coisa:

 _ Não mais caber em mim!



 por: Aline Patricia

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

TRANCADOS


Éh... Eu tranquei minha alma para não me entregar.
Eu tranquei o coração pra você não entrar.
Mas você roubou a chave.
Impetuosamente invadiu todo espaço.                                                      
Dissimuladamente me tirou de mim.
Tomou conta da respiração; apossou-se dos meus sonhos.
 Bebeste dos meus beijos...
Alimentou-se de todos os desejos que estavam armazenados em mim.
Era meu sustento para os dias ruins; e agora são seus.
Todos seus!
Abre e fecha a porta quando queres.
Entra e sai, quando bem entendes.
Tranca tudo quando não estas por perto.
Fecha-me para as verdades que não conheço.
Tranca para fora as mentiras que ao longe reconheço.
Como um fantasma sorrateiro entra... Sai... Faz e desfaz, abusando do poder de estar com a chave.
Quando esta por perto me transborda de carinho e aconchego.  
Abre portas e janelas...
E nesses instantes é que me sinto realmente livre.
Mas quando vai embora; usa da minha própria “ex-chave”; e me vejo mais uma vez assim... Trancada!
Já não mais por minha própria vontade. Mas sim, por vontade de quem a possui.
Faz o que quer de mim. Pois a mim não mais pertenço.
Sou de outro dono!
Controlas até meu sono. Que por sinal, se foi sem ao menos se despedir.
Têm a chave e meus anseios.
Mentiras e verdades, sonhos, coragem e medo.
Já me dei conta da situação.
Sei bem onde estou.
Indiscutivelmente... Em suas mãos!
O uso da chave é inquestionavelmente dispensável.
O espaço é grande o suficiente para acolher as partes.
Tudo aquilo que é livre, se torna refém por sua própria vontade.
E os sonhos divididos em duas partes tornam-se mais sonhos. 
Assim como os anseios e desejos.
A porta trancada não é empecilho para um ladrão oportuno.
Não temer o que carregas consigo, é permitir-se experimentar.
Pra que tanto medo de perder?
Só perdemos aquilo que de fato não possuímos.
Deixe a porta aberta. Coloque a chave em cima da mesa.
Que ela não pertença mais nem a mim, nem a você.
E que o que é vivo, permaneça livre.
E estando livres enfim, estejamos TRANCADOS.
Eu em você. E você em mim.

                         

                  por:    Aline Patricia

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Sensações


Tenho estado por aqui,
 mergulhada no silêncio de minh'alma,
 que clama e anseia por calma,
 calma essa que o mundo não tem para oferecer...
No silêncio, tua ausência me perturba,                                        
faz barulho onde só deveria existir o "nada”
É como se a TV estivesse ligada,
em uma programação que não quero ver...
Toma-me os pensamentos nossas velhas canções...
Desligo o som já desligado,
mas as músicas surgem de lados, que eu não consigo entender...
Onde estas, minha amada calma?
Sossega e aquieta minh’alma...
estou a ponto de enlouquecer.

por: Aline Patricia

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Foram tantas as tentativas por: Mariana Bentes

Foram tantas as tentativas;
E maiores foram os esforços que fiz.
Posso dizer sem medo: EU TENTEI!

Busquei ajuda;
Gritei por socorro,
Eu tentei, dei tudo de mim, mas,
Pode- se dizer que falhei.
Falhei por não perceber que eu sou eu;
Tenho meus valores, princípios,
Tenho sonhos, vontades,
Tenho liberdade de me reinventar e ser como quiser;
SER O QUE QUIZER!

Eu falhei,
Quando me enganei e pensei que minha felicidade era fazer a felicidade dos que me amam;
Porém, tão boa,
Imaginei que para isso, precisaria omitir o meu “eu”,
Pensei ter que ser o que eles queriam que eu fosse;
Mas ...
Não é bem assim!

Cada um deve ser o que é, e as pessoas devem valorizar a verdade do outro;
É preciso aceitar cada um do seu jeito,
É necessário amar o outro; com suas virtudes e defeitos,
Sem tentar alterar detalhes,
Sem querer moldar da nossa forma!

                                               por:        Mariana Bentes 




Tomei a liberdade de adicionar o vídeo da música : Verdade oculta ( Jorge Vercillo ) cd : DNA.
Salve o respeito à identidade de cada um! Cada qual tem seus valores, seus princípios, desejos e anseios. 
Que cada ser seja respeitado por sua individualidade, por tudo aquilo que carrega na alma, e não por conceitos pré-estabelecidos por uma sociedade de pensamentos egoístas, restritos  e medíocres.
( A.P. )

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

SÓ NO ESCURO! por: Liah

Prazer é pouco!  Que honra poder partilhar do talento desta amável "criatura", com quem tenho o prazer de dividir "LICENÇAS POETICAS" , idéias e coisas da vida. Seja bem vinda, amada amiga. Este espaço é todo nosso. 
Para meus amigos e leitores, apresento: Liah.
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- "... 3.200, 3.201, 3.202, 3.203!" - E foi aí que eu parei de contar.
- Quem roubou meu sono? Ainda bem que não roubaram os sonhos... Sonhar é possível mesmo acordada... Pelo menos isso! - pensei em voz alta - De repente foram meus fantasmas que sumiram com o meu sono...
- Não roubamos nada! - escutei - Pegamos emprestado...
Olhando para a penumbra do quarto, respondi:
- Então devolve, pô! De que te servem minhas horas de sono? Já não te bastam as horas do dia?
Ao que me responderam:
- São poucos os momentos do dia em que te vemos assim, completamente despida.
- Despida??
- Despida.

Mais reveladora que a nudez do corpo, é a nudez da alma. E não há momento do dia mais revelador do que aquele em que nos encontramos com nossas cabeças em nossos travesseiros, perdidos em nossos pensamentos, sejam eles quais forem, no escuro, longe dos olhos alheios, em nossos quartos.
Momento de repouso para alguns, de reflexão para outros... E há quem diga que reflexão é forma de repouso. Há quem pense no dia que teve, há quem pense no dia que virá, há quem pense nos compromissos a cumprir ou nos que deixou para trás... Há quem simplesmente não pensa. Apenas deita e dorme. Profundamente.
O fato é que, em dado momento, os pensamentos conscientes cessam. E sem que percebamos, nossas mentes são invadidas por pensamentos não necessariamente voluntários. Devaneios, divagações... pura imaginação! Ou não. E podemos passar horas perdidos ali, sem notarmos a ausência que tomamos de nós mesmos, daqueles que devemos ser, para acordarmos cedo no outro dia e desempenharmos nossas devidas funções, ou devidos papéis, personagens no palco da vida, com nossas máscaras e uniformes.
Bendita é a escuridão da noite, pois sem ela a claridade do dia não teria sentido algum. É no escuro que se é possível enxergar realmente. Sem termos onde fixarmos os olhos, somos obrigados a olhar para dentro de nós mesmos. Se isso assusta? É claro que assusta! Nos deparamos com aquilo que durante um dia todo de claridade não enxergamos, e para dizer bem a verdade, evitamos enxergar. Mas não há escapatória: cedo ou tarde, os fantasmas aparecem, e se impõem.

- Mas eu preciso acordar cedo amanhã. Tenho compromissos, trabalho a fazer... Por favor, deixem-me dormir!

- Mas você tem certeza de que prefere dormir?
"À noite todos os gatos são pardos" - sempre disse meu pai. Talvez depois de tanto tempo sem conseguir dormir na hora determinada (não sei por quem), eu tenha me acostumado com a noite, com a realidade que ela me traz, com a liberdade que ela me traz. Na escuridão eu me misturo com aqueles todos que de dia são uns, mas que com certeza à noite tem lá seus fantasmas também. À noite eu posso ser como sou, agir como quero e como devo, de acordo com o que tenho dentro de mim.
Conviver com os fantasmas me fez aprender a deixar de temê-los e a simplesmente conviver com eles, e não tentar resolvê-los. A noite pode ser considerada a melhor amiga de uma pessoa, porque ela faz enxergar o real. O dia faz enxergar as aparências, as funções e os pré-conceitos do mundo. O grande desafio está em trazer a claridade das nossas noites para os olhos dos nossos dias.
- É... Vocês tem razão. Prefiro a noite ao dia. Mas perdoem-me se tenho que dar-lhes atenção à meia luz. 

Por Liah.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O perfume da flor

É com enorme prazer que posto o primeiro "duo" com uma pessoa que para mim, é mais que especial. Esta aí nossa primeira obra, Daisy. Uma brincadeira de gente grande, dividida em dois personagens. Bem vinda ao nosso espaço!
................
1)Por mais bonita e resistente que seja uma flor, se rodeada e tomada por arbustos de espinhos; por mais que lute... Acabará de fato sufocada.
Sua beleza e perfume se eternizam, mas ela de fato se vai.
A flor bonita cultivada no jardim da casa, é perda para o dono quando se vai por falta de irrigação.
A flor que toma vida em campo aberto e sem dono, se por falta de água abandona o velho habito de desferir seu perfume, também é perda.
Porém, não é um prejuízo pessoal, ou particular.
Simplesmente deixa de ostentar os olhos daqueles que de fora a observavam.

2)Tento tirar os entulhos que eu mesma joguei nesse jardim.
Sinto-me impotente...
Com medo...
Perdida...
Sem esperança...
Covardemente lancei-me num buraco que parece não ter fim.
Tentando agarrar-me em arbustos sem raízes... Continuo caindo e vendo se distanciarem as pessoas que amo.

1)Tantos passam uma vida toda tentando sentir o perfume da flor... E nada!
Outros são sufocados pelo excesso de perfume, e não se dão conta da dádiva que experimentam.
Mas só o poeta sabe a dor de ver a flor pouco a pouco ser sufocada, até que se perca toda vida que nela incide.

2)A última coisa que quero, é deixar de sentir o perfume da flor.        
_Culpa minha!
_Idiotice...
_Covardia!
Perder a flor significará ver por terra minha última esperança.

1)O poeta perde o fôlego e as rimas.
Passa a odiar a covardia, como quem odeia seu arque-inimigo.
As lágrimas tomam involuntariamente seu próprio rumo...
Irrigando a ferida que se abre.

2)Mais uma vez...
Só tenho uma saída...
Lançarei mão, e então, espero que tudo fique no esquecimento.
Pelo menos descobri que amar é mais que qualquer entendimento ou razão.
E que nada fora disso tem sentido.

1)Mas o nobre poeta é como um nobre cavaleiro que toma de sua armadura, empunha espada e escudo e vai ao encontro da flor para ver se ainda há perfume, pelo menos quando o astro rei aquecer o orvalho que a dama noite desfere.
Mesmo que não haja mais sinal daquela flor... Outras hão de florescer.
Caso não; o poeta perde toda inspiração.
Caneta e tinteiro serão guardados, escondidos ao fundo do armário; e assim viverá uma vida superficial.
Indo de acordo aos ventos...
Poetizando “solamente”; apenas em sua mente.
Sem a pretensão de novamente partilhar do perfume da flor, findam-se todas as esperanças.

2) _Não posso perder o perfume da flor!

1)_Não quero deixar de viver-te, perfume da flor!


by: Aline Patricia & Daisy Gomes

domingo, 26 de junho de 2011

Pensei fazer-te um poema

 Pensei fazer-te um poema
Horas e horas pensando o que dizer,
As palavras de mim fogem,
Não sei o que fazer.
Uma força estranha me impulsiona e neutraliza
Rimas bobas surgem a todo instante,
Coisas tolas como:  botão e camisa.
Então se vê o poeta desarmado.
Surpreendido pelo sentimento que tanto descreve,
Decide-se deixar as rimas de lado.
Falemos então de sentimentos.
Nos seus olhos vi tudo àquilo que poucos até hoje puderam enxergar.
O seu pedido de socorro ecoava em gritos dentro de mim, e toda aquela fragilidade me fez sentir vontade de te guardar dentro do meu peito, até que os ventos deixassem de soprar forte em ti.
O desejo de te cuidar foi maior do que a certeza dos riscos que eu passava a correr daquele momento em diante. E de repente me vi assim... Refém... Apenas refém.
Toda audácia e boemia do poeta se perderam em algum canto da história, que eu sequer sei dizer onde foi.
Esses olhinhos verdes, curiosos, tristes e inseguros começaram a tomar conta dos meus sonhos. E o que pra você era uma aventura, para mim era uma entrega inexplicável, a qual costumo nomear: LOUCURA.
No teu corpo encontro o complemento do meu. O teu beijo faz meu beijo parecer mais beijo. Nos teus braços eu encontro o meu ninho e tua presença faz aumentar cada vez mais, o medo da tua ausência.
Não sei se nossos dias serão infinitos.
Mas infinitas serão as lembranças de cada instante que passamos juntos.
Tens o dom de me fazer sentir tão potente quanto impotente.
Faz-me sentir um misto de coragem e medo, frio e calor, sorriso e tristeza, alegria e dor.
As rédeas estão em suas mãos, pois sempre que vejo esses olhinhos cheios de lágrimas, perco o controle da situação.
Pensei fazer-te um poema, mas descobri que minha melhor poesia,
É FAZER AMOR COM VOCÊ.


by:        A.P.

Saudações, minha pequena grande gênia : Mari Bentes

E se faltarem palavras a serem ditas;
Que fale mais alto a voz do coração.
E se sorrisos forem frustrados;
Que se levante a cabeça e fale com a voz da razão.
E se sonhos se recusam a sorrir;
Que possamos estar buscando outras artes perdidas tão longe e tão perto!


Que todos possamos estar nos recusando a frustrar a dádiva permitida a nós...

A dádiva de viver a vida (...)
                                                 

                                        by:        Mariana Bentes


 
E o tempo passa; ...
Quando você percebe tudo mudou.
Aquelas pessoas que ontem eram sua vida, hoje se fazem tão estranhas perante você;
E tudo vai ficando anestesiado, vai adormecendo, vai escapando como água por entre os dedos.

Você refulgia tudo que restou no mais profundo do coração;
E lembra e relembra...
Pra não correr o risco de esquecer.
Mas como esquecer o que foi inesquecível pra você?!


Éh, ... às vezes sentimentos não são iguais pra todos; mas...
Nem faz diferença;
O que importa é o que sentimos!


by:   Mariana Bentes

Talvez

Talvez eu passe o resto dos meus dias escrevendo.                                   
Talvez o resto dos meus dias seja tempo demais...
Talvez pareça uma eternidade.
Talvez passe tão depressa que
não dê tempo de olhar para traz.
Talvez o meu "talvez" soe com muita incerteza.
Éh! ... Talvez esta incerteza seja minha única certeza!


by: A.P.

sábado, 23 de abril de 2011

Que o único medo que nos tome, seja o medo de não amar.

Na redoma da alma, sentimentos trancados
pelo medo exagerado,
no entendimento defasado
de que amar é sofrer.
Escondem-se nas sombras do egoísmo,                       
os sentimentos contidos
que tememos conhecer.
"Tenho medo de amar",
"Tenho medo de querer".
Prefiro manter-me longe,
é o medo de "perder".
Mas do ódio não me escondo.
Exibo feito troféu.
Sentimento que repele,
tão amargo quanto o fel.
Os valores invertidos
faz com que continuem contidos,
tudo àquilo que deveria florescer.
...

"Não vejo filmes de romances,
esses mexem com a emoção.
Prefiro manter-me firme, consciente
Vendo filmes de ação".
"Abraçar um velho amigo,
esta fora de cogitação.
Se faz tempo que não o vejo,
no máximo...um aperto de mão!"

...

O amor torna-nos fortes e sábios. Faz resistir às noites frias.
Permite-nos: acreditar mais... confiar mais...; alcançar aquilo que parece ser impossível.
O amor nos permite ver no outro, tudo aquilo que os olhos não conseguem enxergar.
Transforma vidas, e dá vida ao que se perde na dor.
O amor não é meramente tema de livros de romance.
Ele é o combustível da alma. É o que refrigera e acalma,
quando a consciência já cansada desiste de acreditar.
Faz bater mais forte a bomba compressora que irriga o velho corpo.
Derrama involuntariamente o líquido salgado que se expele pelo canto dos olhos;
devolve à face já desacreditada um lindo sorriso e, entre incontáveis coisas,
faz nobre a mais miserável das criaturas.
Sejamos nós tomados pela sabedoria adjacente do amor.
Que exploda em nosso peito a coragem de deixá-lo nos tomar.
Que o abraço seja mais abraço. Que o carinho seja mais carinho.
Que o beijo seja mais beijo. E que o único medo que nos tome;
seja o medo de não amar.

by:  A.P.