sábado, 6 de novembro de 2010

Notas de uma nova canção

Poeiras caem do ímpeto topo da desolação.
Fecham-se as cortinas,
e como nos palcos...

É chegada a hora de ir para o camarim.                   
Não quero nada de tudo!
Quero tudo de nada!
Vejo o sol se pondo no céu vermelho por de traz do pico da montanha.
É chegada a hora de partir!
O velho instrumento já acomodado no keise                                 
faz volume na mão cansada do artista.
Acabou o show?
Não!
É somente o inicio de uma carreira solo.
A estrada se perde na visão conturbada e cansada do velho sonhador.
Mas as melodias surgem como nunca acontecera antes.                          
Será um sinal? 
...                                                                        
Assoviando segue o seu caminho.
Todo peso pouco a pouco vai ficando para traz.
E o suor que deveria ser um incômodo,
traz para fora toda inquietação que se guardava no saguão da alma.
Os olhos protegidos por lentes escuras
se voltam para o alto sem que se percam os rumos dos passos;
e num suspiro quase que profundo a alma respira aliviada.
Agora já não mais importa a velocidade de cada passada,
tão pouco quando e onde se vai chegar.
Já que não se sabe o destino derradeiro, o importante agora é caminhar.
Cada passo é compassado à respiração,
o assovio sugere uma nova canção.
E tendo em vista que lhe sobra livre uma das mãos,
em estalos de dedos surgem a marcação de um novo tempo, o novo compasso. 

Inspiração!
Notas são infundidas nas pausas,                      

e pausas infundidas às notas;
E o que se nota?
Notas de "uma nova canção"!


by: A.P.

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